Por: Tathiana Xavier (Opinião)
Nesta quinta-feira, 30 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a Lei de Imprensa, uma das últimas legislações do tempo da ditadura que continuavam em vigor.
No julgamento, sete dos onze ministros do STF seguiram o parecer do relator, Carlos Ayres Britto, e decidiram desfazer em sua totalidade a esta lei ao concluírem que ela, que foi editada em 1967, era inconstitucional e incompatível com a democracia e com a atual Constituição Federal.
O STF discutiu também o artigo que permitia a apreensão de jornais e revistas que ofendessem a moral e os bons costumes e a punição de quem vendesse ou produzisse esses materiais. Deixam de ter validade as penas de multa para notícias falsas, deturpadas ou que ofendam a dignidade de alguém. Também cai a possibilidade de espetáculos e diversões públicas serem censurados.
Para este impasse, há os que acreditam, que uma nova lei não seria necessariamente autoritária, e poderia servir para dar mais clareza ao texto da Constituição, garantindo maior proteção aos jornalistas. Por outro lado, há os que argumentam que o Brasil precisa de menos leis e que é preciso melhorar a atuação das autoridades.
Diversos segmentos da sociedade estão debatendo se há necessidade ou não de um novo instrumento legal. Muitos consideram dispensável uma lei específica, pois argumentam que a Constituição já assegura direitos e deveres referentes à atuação da imprensa e seria redundante criar uma outra lei.
No mais, a revogação da Lei de Imprensa é um convite à autorregulamentação, que serve para ressarcir quem se sentir injustiçado por alguma matéria. Podemos tomar como exemplo a publicidade, regulada pelo órgão governamental Conar, onde uma propaganda com qualquer tipo de engano ou mentira é retirada do ar em no máximo uma semana. Com isso, a própria agência se policia porque sabe que pode ter seu anúncio tirado do ar. Talvez o mesmo possa funcionar com o jornalismo, sofrendo algumas adaptaçãos para cada tipo de veículo.
Em um mundo globalizado, cheio de novas tecnologias e novos conceitos intelectuais, esta lei arcaica não condiz com o país que defende a democracia: uma forma de punir quem sai dos eixos, quem fere a boa conduta. Mas quais são essas condutas? Quem as pode tornar boas ou más? Tudo tem de ser discutido e o importante é ouvir todas as partes envolvidas: jornalistas, governo e a sociedade que absorve as informações passadas pelos meios de comunicação.
Para ficar completo, é preciso encontrar alguma maneira de regulamentar o direito de resposta: não se pode defender o jornalismo irresponsável e é necessário atender àqueles que se sentirem ofendidos. Mas temos de estabelecer critérios claros e parâmetros razoáveis porque essas decisões não podem ficar somente ao critério daqueles que fazem valer as leis a fim de se evitar sentenças absurdas.
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domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
Jornalismo colaborativo é jornalismo?
Por: Camille Grandin (Opinião)
Uma nova forma de gerar conteúdo está ganhando espaço na imprensa contemporânea – o jornalismo colaborativo. Se até hoje as grandes indústrias da informação monopolizavam os fatos, agora o usuário também escreve. E com as grandes novidades também surgem as dúvidas e as incertezas. Quanto ao jornalismo colaborativo a questão gira em torno da pergunta: É ou não é jornalismo?
Essa dúvida divide opiniões. Muitos coleguinhas acreditam que com a colaboração todos se tornam repórteres, banalizando nossa profissão. Eu não acredito nisso. Com essa nova forma de gerar conteúdo o jornalista profissional é indispensável. Ele se torna uma espécie de catalisador de informações. É preciso que haja um olhar profissional sobre a informação, uma apuração e investigação sobre a veracidade dos fatos.
Grandes portais brasileiros de notícias já aderiram a esta prática, que tende a crescer cada vez mais. Principalmente pelo fato de vivermos em um mundo interconectado em tempo real, com tantos blogs e sites pessoais que compartilham informação e dão espaço para pessoas se manifestarem. Os maiores portais aderiram e estão expandido este tipo de jornalismo pois gera fidelidade.
Para os adeptos desta prática, o Jornalismo Colaborativo é uma grande chance de democratizar a informação. Muitas pessoas o caracterizam de “ato cidadão”, na qual qualquer pessoa cumpre um papel ativo no processo de coleta, reportagem e análise de relevância. Este fato possibilita que comunidades que não são pautadas com freqüência pela mídia comercial entrem em foco.
A meu ver, para que haja a expansão desse novo jornalismo é preciso que os jornalistas parem de enxergar o cidadão repórter como um concorrente e passem a vê-lo como um aliado.
Uma nova forma de gerar conteúdo está ganhando espaço na imprensa contemporânea – o jornalismo colaborativo. Se até hoje as grandes indústrias da informação monopolizavam os fatos, agora o usuário também escreve. E com as grandes novidades também surgem as dúvidas e as incertezas. Quanto ao jornalismo colaborativo a questão gira em torno da pergunta: É ou não é jornalismo?
Essa dúvida divide opiniões. Muitos coleguinhas acreditam que com a colaboração todos se tornam repórteres, banalizando nossa profissão. Eu não acredito nisso. Com essa nova forma de gerar conteúdo o jornalista profissional é indispensável. Ele se torna uma espécie de catalisador de informações. É preciso que haja um olhar profissional sobre a informação, uma apuração e investigação sobre a veracidade dos fatos.
Grandes portais brasileiros de notícias já aderiram a esta prática, que tende a crescer cada vez mais. Principalmente pelo fato de vivermos em um mundo interconectado em tempo real, com tantos blogs e sites pessoais que compartilham informação e dão espaço para pessoas se manifestarem. Os maiores portais aderiram e estão expandido este tipo de jornalismo pois gera fidelidade.
Para os adeptos desta prática, o Jornalismo Colaborativo é uma grande chance de democratizar a informação. Muitas pessoas o caracterizam de “ato cidadão”, na qual qualquer pessoa cumpre um papel ativo no processo de coleta, reportagem e análise de relevância. Este fato possibilita que comunidades que não são pautadas com freqüência pela mídia comercial entrem em foco.
A meu ver, para que haja a expansão desse novo jornalismo é preciso que os jornalistas parem de enxergar o cidadão repórter como um concorrente e passem a vê-lo como um aliado.
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