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domingo, 14 de junho de 2009

Meia-entrada: um bem ou mal para a cultura?

Por: Filippe Gonçalves (Opinião)

Quem nunca usou o direito da meia-entrada para poder comprar ingressos para shows, cinemas, teatros, jogos de futebol, etc? Porém, a discussão do direito do uso da meia-entrada vem se acirrando cada vez mais. Com mais de seis décadas de existência, essa lei está passando por mudanças, como o limite de porcentagem nos eventos e até mesmo um possível cancelamento da sua validade. Mas quem está certo nessa discussão, os produtores que tentam viabilizar os shows ou os estudantes que sem condições de pagar um ingresso inteiro querem assistir a um espetáculo?

Os políticos que são a favor da redução dos ingressos para apenas 40% dos lugares das casas de espetáculos, cinema e teatros tem como argumentos, que muitas pessoas compram ingressos com carteirinha falsa e que tem que ser criada uma carteirinha nacional para que não ocorram mais falsificações como acontecem. Eles ainda afirmam que com o controle rígido das carteirinhas, os empresários tendem a diminuir os preços dos shows, já que não terão mais os prejuízos com a quantidade elevada das meias-entradas. Além dos políticos, artistas e empresários são favor da nova lei, como a produtora teatral Bianca de Felippes.

“A falsificação de carteiras aumentou, e os empresários dobraram os preços para conter os prejuízos. Isso afastou dos espetáculos o público que não falsifica” – disse Bianca Felippes

Não podemos pensar apenas pelo lado do público que é o de pagar menos, já parou para contabilizar por quanto sai um show? Cachê, passagem aérea, hospedagem em hotel, camarim e comida do artista, locação do lugar, seguranças... são tantas despesas que você perde a conta de quanto eles gastam. Ai pode ter a pergunta: E o patrocínio? Geralmente o patrocínio ajuda no máximo a pagar o cachê do artista (que hoje em dia está inflacionado) e com o governo não ajudando com isenção de impostos ou com algum gasto do show, os produtores ficam correndo contra o tempo para buscar um jeito de não saírem no prejuízo.

Temos que ver também o lado dos estudantes, uma vez que essa lei foi implantada para aumentar a ida deles para eventos culturais e assim melhorar a aprendizagem dos mesmos. Com o preço dos espetáculos muito altos, os alunos não conseguem comprar ingressos e a meia-entrada é um jeito de fazer com que eles tenham acesso a mais cultura. Meia-entrada tem que existir, porém com forte fiscalização e com punição no mesmo nível para os infratores. Quantas pessoas compram ingressos com carteirinha falsa? Se houver uma fiscalização e punição severa, os verdadeiros estudantes vão ter acesso aos espetáculos e o preço desses será diminuído. Assim todos sairão ganhando, tanto a cultura quanto os empresários.

Enfim, o projeto está rodando pelas mãos dos nossos governantes e não podemos ficar de braços cruzados. É preciso ter mudanças na lei da meia-entrada? Isso sem dúvida ta certo, porém o foco principal não é limitar a porcentagem de lugares nos shows ou até mesmo cancelar o direito da carteirinha de estudante. O foco tem que ser direcionado para uma carteirinha padronizada em todo Brasil e com uma forte fiscalização na produção dessas carteirinhas, além de uma punição rigorosa para quem burlar a lei. Somente assim os empresários poderão colocar o preço dos ingressos mais baratos, sem sair do prejuízo e as pessoas terão preços mais acessíveis para assistir a shows.

Saiba mais:

Enquete:

Você acha que quem falsifica carteira de estudante merece uma punição rigorosa?

()Sim, já que isso se dá por uma falsificação ideológica e assim merece ser punido com uma multa alta.

()Não, os preços estão muito caros e as pessoas podem usar desses meios para comprar ingressos mais baratos.

Fórum: Você acha que essa porcentagem de meia entrada nos espetáculos fará o preço dos shows cairem ou essa lei é apenas mais uma enganação para os empresários ganharem mais?

Meia Entrada: benefício de poucos, utilizado por muitos


Por: Potira Mocaiber (Opinião)

Desde o início do estabelecimento da democracia no Brasil, a classe estudantil enfrentou sempre muitas barreiras que, ao longo dos anos, foram sendo superadas com muita luta, dedicação e audácia. Marcos de uma história recente só existem devido a esta classe, como por exemplo o Impeachment do ex Presidente Collor. Hoje contestados, por aqueles que já foram também estudantes - talvez até tenham partcipado de um dos marcos brasileiros -, a classe tenta provar o já provado.

Está mais do que provado e demonstrado, a força dos estudantes no meio cultural. Hoje só existe a discussão acerca da Lei da Meia Entrada pois, em um país onde o incentivo e fomento à cultura e lazer é praticamente zero, os estudantes são considerados os principais sustentadores dos pilares do mercado, como demonstra o ator Wagner Moura: "A minha peça em São Paulo (Hamlet) tem 70% dos ingressos vendidos com meia-entrada" (Leia na íntegra a entrevista).

Desta forma, fica evidenciado a impotância da meia entrada, seja no aspecto sócio educativo e cultural, quanto uma ferramenta de aquecimento e desenvolvimento para peças teatrais, execução de filmes, e apresentações internacionais.

Contudo, nem tudo são flores.

Não adianta nada demonstrarmos somente o lado positivo se os pontos negativos também são muitos e extremamente relevantes. Destacam-se a falta de incentivo fiscal aos estabelecimentos enquadrados na lei da meia entrada, a falta de uma maior fiscalização quanto a emissão das carteiras estudantis, a existência de vários órgãos capazes de emitir tal documento, e, por tal motivo, a aparência de certa facilidade motiva a prática da falsificação destes documentos, e em uma reação em cascata, a conta é paga por aqueles que agem de forma correta, ou seja, os preços dos ingressos são onerados para suprir estas práticas.

Portanto, tiramos algumas conclusões sobre a Lei da Meia Entrada: é uma conquista da classe estudantil e, de maneira alguma deve ser retirada tampouco ter estabelecida cotas para aquisição de ingressos; deve ser criada - e já consta no Senado Federal o Projeto de Lei 4571/08 - uma delimitação à apenas uma instituição, seja UNE, UBES, enfim, para que esta seja a responsável pela elaboração das carteiras e, a confecção seja feita pela Casa da Moeda, seja criado um órgão responsável por uma fiscalização efetiva e controle de emissão das carteiras e por fim, seja criado um plano de incentivo fiscal para os estabelecimentos enquadrados na lei.

Assim, a Meia Entrada é um benefício dos estudantes e dos idosos, mas deve ter seu texto legal reformulado para melhor atender à sua finalidade.

Saiba Mais

Artistas vão ao Senado pela regulamentação da Meia Entrada

Ministro Carlos Minc em defesa dos estudantes

Enquete

Estipular um regime de cotas, delimitando a quantidade de ingressos nas casas culturais, cinemas e eventos esportivos pode ser uma solução para a diminuição nos preços?

( ) Sim, uma vez que não há controle ou fiscalização quanto a emissão das carteiras estudantis, e assim, muitos falsos estudantes utilizam de maneira errada este benefício.

( ) Não, estipular cotas é uma forma de restringir um direito adquirido pelos estudantes e idosos. Cabe sim, uma reformulação do texto legal adquando as necessidades atuais dos beneficiados.

Fórum

É correto a classe artística apoiar e tentar influenciar uma decisão que terá consequências imediatas nas vidas de muitos estudantes e idosos?Opine aqui: